
Nossa aventura na Rodovia Transpantaneira começou por volta da hora do
almoço, quando chegamos vindos de Itiquira, via Cuiabá.
A Estrada começa no município de Poconé, e
vai pantanal adentro até um local chamado Porto Jofre, na margem do Rio Cuiabá.
A travessia nesta época (agosto) é
relativamente fácil, pois sendo época de seca a estrada fica sem muita lama, entretanto
o cuidado com as pontes tem que ser redobrado, pois elas se escondem nas nuvens de poeira
e surgem repentinamente na frente dos jipes.
Como são mais de 120 pontes e a verba de conservação é pouca, a maioria
está literalmente caíndo aos pedaços, e é necessário parar antes das mesmas, fazer a
travessia a pé, verificar a real situação, arrumar e fixar tábuas e orientar o
motorista.
Recomenda-se passar sempre com a tração ligada
e em primeira reduzida, para evitar um enrosco, além de ajudar a conservar a ponte.
Já
durante a noite, quando estávamos próximos de chegar, encontramos uma pickup que
rebocava uma lancha para Porto Jofre, que por falta de cuidado deixou cair a roda da
carreta num buraco da ponte, e por sorte não foi lançada dentro d'água, levando a
pickup a tiracolo....
Além de ficarem enroscados na ponte, não havia
com este pessoal nenhum macaco que tivesse curso suficiente para levantar a carreta e
calçá-la, e já estavam lá a um bom tempo, sem ter mais o que fazer.
Para sorte deles nosso hi-lift (equipamento
obrigatório numa viagem desta) resolveu o probema em instantes.
Outra
dica: Se ficar parado durante a noite numa ponte ilumine muito bem o local com lampiões
ou fogueira Os moradores locais andam na transpantaneira em alta velocidade, e para
acontecer um acidente grave basta um descuido.
Chegamos em Porto Jofre, final da Rodovia
Transpantaneira, por volta das 21:00.
Um pouco da história da Rodovia
Transpantaneira
A
Rodovia Transpantaneira, é hoje uma estrada de terra que que liga nada a lugar nenhum,
tem quase 150 km de extensão e 126 pontes de madeira, quase todas em estado muito
precário.
Junto com a transamazônica, pode ser descrita
como uma das obras viárias mais desastrosas e inúteis já feitas no país. Explica-se:
Durante o regime militar projetou-se esta estrada que ligaria Poconé (pantanal norte) a
Corumbá (pantanal sul), objetivando preservar a "soberania nacional", e de
quebra atender alguns interesses particulares.
Temendo os projetos de internacionalização da amazônia e demais regiões
de interesse ecológico, assim como inviabilizar a utilização de locais de difícil
acesso para abrigo dos grupos que lutavam pelo fim da ditadura, tocou-se um projeto (assim
como muitos outros) sem estudo e sem planejamento.
O Resultado todos podemor ver, pois a natureza
derrotou a "engenharia" , não permitindo que se construisse nem metada do
roteiro inicialmente previsto.
Como a região alaga todo o ano, a estrada foi
construída de de forma elevada, chamada na região de aterro, e as pontes eram
distribuíadas da forma que mais convia aos engenheiros, entretanto com a chegada das
chuvas, a força das águas força a união dos dois lados, estourando as construções
sem cerimônia frente aos generais.
Saiba mais sobre o Pantanal
O Pantanal Matogrossense, a maior região
alagável do mundo, que abrange parte dos Estados do Mato Grosso e Mato Grosso do Sul, é
hoje uma das áreas mais importantes para pesquisadores, atividades turísticas e para a
pecuária no País. Ocupando uma área de 140 mil km2, o Pantanal, como seu
ciclo especial de águas, que transforma durante boa parte do ano imensas planícies em
áreas semi-alagadas, abriga uma fauna riquíssima, que o governo nos últimos anos tem
procurado proteger, como é o caso dos jacarés e aves das mais diferentes espécies.
Esse
ecossistema delicado e extremamente complexo tem sofrido com o desmatamento ao longo das
margens dos rios que cortam a região, todos eles ligados à bacia hidrográfica do rio
Paraguai. Os garimpos de ouro e diamante também causam assoreamento de rios que chegam ao
Pantanal, especialmente no Mato Grosso, onde a atividade garimpeira tem sido mais intensa.
Problemas
à parte, a região do Pantanal, cada vez mais, desperta a atenção, não apenas pelos
aspectos que envolvem seu ecossistema original, mas também pelas especificidades do homem
pantaneiro, acostumado a vencer as longas distâncias entre fazendas de gado, cruzando
áreas alagadas.
A
colonização chegou à região no século XVIII, através dos rios Tietê, Paraná e
Paraguai. Eram aventureiros à procura de ouro. Com o declínio desse tipo de
exploração, o homem do Pantanal acabou consolidando fazendas de pecuária extensiva,
atividade que se adapta bem à região, com suas imensas pastagens naturais.
As
dificuldades de acesso aos grandes centros brasileiros, como Rio de Janeiro e São Paulo,
acabaram fazendo com que a população local tivesse mais contato, até o início do
século, com o Paraguai, Argentina e Uruguai. Com isso, o pantaneiro acabou absorvendo
traços culturais dos países vizinhos, inclusive um sotaque de forte influência
espanhola nas áreas mais próximas da fronteira.
Esse
imenso delta interno entre o planalto central brasileiro e a cordilheira dos Andes tem
características que misturam espécies da fauna e flora típicas da Amazônia e das
áreas do cerrado. No Brasil concentra-se 80% do Pantanal e o restante desse ecossistema
distribui-se entre Bolívia e Paraguai.
Tanto no Brasil quanto nos países vizinhos,
estudos científicos mais sistemáticos sobre a região somente começaram a se
desenvolver nas últimas décadas. Na verdade, os próprios cientistas reconhecem que
pouco se sabe sobre a fauna e a flora do pantanal, que já sentem os efeitos das
modificações introduzidas pelo homem no meio ambiente.
Quem chega à região do Pantanal depara-se com quadros diversificados.
A presença constante de animais, principalmente
aves, encanta o visitante. Cerca de 650 espécies de aves povoam a região. Répteis como
o jacaré , são encontrados em abundância, espalhados pelos rios, lagos e baías.
É
a maior concentração faunística de todas as Américas. Grandes bandos de capivaras, o
maior roedor do mundo, podem ser observados com extrema facilidade, ao lado de alguns
cervos do Pantanal. Já a ariranha, antes comum em toda a região, não tem sido mais
encontrada devido à enorme pressão da caça ilegal e predatória a que foi e continua
sendo submetida, principalmente pelo elevado valor de sua pele.
O
jacaré também tem sido alvo de caçadores - sua pele tem grande valor no mercado
internacional e sua carne é apreciada. O Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e Recursos
Naturais Renováveis (Ibama) tem investido na repressão à caça predatória, embora esta
seja uma tarefa difícil, tendo em vista que são inúmeros os rios e lagoas espalhados no
Pantanal.
A região é um convite à pesca. São cerca de 230 espécies de peixes,
destacando-se a piranha, o pintado, o pacu, o curimbatã e o dourado.
A proteção dos peixes é outro desafio.
Especialmente na época da desova, quando as fêmeas sobem os rios até as cabeceiras, a
luta contra a pesca predatória torna-se mais intensa.
Apesar
dos períodos de adversidade, quando o excesso de chuva ou de estiagem chega a dar
prejuízo aos pecuaristas, a região é considerada ideal para essa atividade. Chega-se a
dizer que no Pantanal "não é o fazendeiro que cria o gado, mas sim o gado que cria
o fazendeiro". Nesta viagem pudemos observar inclusive muitos búfalos que se
adptaram muto bem as condições da região.
O equilíbrio dessa região exige proteção constante e, embora os
mecanismos de fiscalização ainda sejam muito precários, já existe, desde 1967, uma
legislação que procura proteger a fauna e a flora do Pantanal. A lei estabelece, entre
outras coisas, que é proibida a "utilização, perseguição, destruição e caça
de animais de quaisquer espécies, em qualquer fase do seu desenvolvimento e que vivem
naturalmente fora do cativeiro. A fauna silvestre, bem como seus ninhos, abrigos e
criadouros naturais são propriedade do Estado".
Em
menor escala, outros animais costumaram ser contrabandeados, como a capivara, a queixada,
a lontra e a ariranha. Entre as aves, as mais visadas são as araras, principalmente a
arara azul, cada vez mais difícil de ser encontrada.
Os técnicos entendem que toda essa riqueza
animal e vegetação pode ser manejada, mas de forma cuidadosa, para não comprometer a
sobrevivência de algumas espécies. É o caso do jacaré. Já existem algumas fazendas
funcionando na região onde o jacaré é criado para abate. Apesar da polêmica que o
assunto levantou quando este tipo de manejo começou a ser discutido, a atividade está se
consolidando. As fazendas são obrigadas a devolver à natureza parte da ninhada de
jacarés que nasce em cativeiro.
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