Conhecendo o
Parque Nacional
Grande Sertão Veredas - MG/BA
No domingo, já na
companhia do guarda-parque Carmosino, que foi especialmente
destacado pelo Sr. Eurides para nos guiar durante a nosso visita,
partimos para enfim conhecer o PNGSV e sair então do "on-road"
para o "off-road". Cabe aqui aplaudir o trabalho da ONG Funatura,
que transformou antigos moradores do Parque em guardas-parque
remunerados, fazendo que depois de treinamento, passassem a
defender do meio-ambiente.
O nosso guia
Carmosino, 47 anos, 4 filhos, nasceu e cresceu dentro do parque,
hoje mora na cidade, para que os filhos possam estudar. Sem esta
remuneração, eles se tornariam analfabetos como o pai, pois o
mesmo alega que não teria como deixar o Parque, de onde tirava até
então sua subsistência.
Conhecemos enfim
as "veredas", (pequenos vales com formações de buritis e pequenas
nascentes de água) que formam lindas "ilhas verdes" no meio do
cerrado, como se fossem tratadas por um jardineiro cuidadoso).
Estas veredas, que
são várias, todas possuem um nome, e existem muitas histórias
sobre cada uma delas. Ao começar do cair da tarde, depois de muito
rodar, montamos acampamento num gramado a beira de uma vereda, bem
perto do Rio Preto, onde deveríamos enfrentar uma ponte em péssimo
estado no dia seguinte. Como a noite estava linda e agradável,
pudemos ficar muito tempo batendo papo, bebendo e comendo
tranqüilamente, e acompanhar o cair da noite e a vida tranqüila
dos animais do parque.
No dia seguinte, os
primeiros que acordaram fizeram o favor de acordar os demais para
ver o dia nascer na vereda, realmente lindo. Em instantes
estávamos preparando o nosso café e desmontando o acampamento,
para podermos então prosseguir a viagem.
Passamos então
pela ponte (que embora "reformada" nos últimos anos, foi a mesma
que serviu a Guimarães Rosa quando da viagem que deu origem ao
"Grande Sertão: Veredas").
Nestas trilhas
pudemos conhecer o grande problema crônico do Parque, que são as
queimadas, que acontecem normalmente de duas formas:
-
Pelos
proprietários de terras desapropriadas e que vivem dentro do
parque, pois ainda não foram indenizados;
-
Pelas queimadas
de pasto nas fazendas do entorno do parque
A Funatura, que e
uma ONG que cuida do parque junto com o Ibama, tem um projeto de
retirada dos posseiros de dentro e do entorno do Parque, através
da compra das áreas, pagando uma indenização pelas "benfeitorias"
realizadas nas terras.
Através da ajuda
do consulado do Japão, foi construída uma torre de observação de
30 metros, de onde se vê uma grande parte do parque, e serão
instalados na torre, nas casas dos guardas parques, na Funatura e
no Ibama rádios comunicadores, com baterias recarregáveis através
da energia solar, através dos quais espera-se poder localizar e
acabar com focos de incêndio muito mais rapidamente.
Durante o percurso
encontramos e recolhemos muito lixo dentro do parque tais como
latas de cerveja e garrafas de refrigerante, demonstrando que
ainda falta muita consciência ecológica aos moradores da região e
aos visitantes do parque e arredores.
Terminamos a vista
ao parque com uma caminhada pela região do encontro dos Rios
Carinhanha e o Preto, onde era visível a distinção entre os dois,
um de águas claras e as outras escuras. Vimos também a utilização
dos Buritis para a travessia dos Rios, pois estes parecem
"isopor", flutuando nas águas.