Rumo ao Grande Sertão Veredas

Saímos da reunião do Jeep Club Pirituba na sexta-feira por volta das 21h00, em nove pessoas, três jipes, sendo um JPX uma Land Rover 90 e uma Toyota Bandeirantes.

Nosso objetivo era nos dirigirmos diretamente de São Paulo para o município de Chapada Gaúcha - MG, (que fica na entrada do Parque Nacional Grande Sertão Veredas - PNGSV, parando apenas para abastecer e nos alimentarmos, mas logo na saída de São Paulo, depois de rodarmos menos de 100 km um susto: A Toyota morre em plena Rodovia dos Bandeirantes. Diagnóstico: entrada de ar no sistema por causa do "copinho" mal apertado na revisão.

Refeitos do susto, seguimos viagem. Nossas paradas aconteciam a aproximadamente cada 300km, para abastecimento, comermos algo e  troca de motorista. Tudo prosseguiu bem durante toda a noite, sempre rodando dentro do nosso cronograma.

Já no sábado a tarde quando chegamos em Arinos-MG, e íamos entrar no trecho final de 90km de estrada de terra que faltava para chegarmos ao nosso destino, o tempo fechou com prenúncio de muita chuva pela frente. Exatamente o que aconteceu: em instantes "desabou" um grande temporal, e a estrada de terra lotada de costelas de vaca e buracos fundos não nos permitia desenvolver mais que 40km/h, e a visibilidade diminuía a todo o momento. Os buracos eram tantos e tão fundos que em determinado momento no JPX notou-se algo estranho: Estava faltando um dos limpadores de pára-brisa! Quando já estávamos discutindo como achar outro para substituição na volta, veio uma surpresa: Ele tinha escapado e ficado caído sob o capô, apoiado na entrada de ar do intercooler, esperando para ser novamente encaixado, ignorando as irregularidades do terreno...

Continuamos seguindo o no GPS o tracklog  que nos orientava para nosso destino:  a sede do IBAMA do PNGSV. Santo GPS: Paramos na porta do IBAMA sem errar uma única rua dentro da cidade. Como a noite já estava por cair, começamos a preparar o acampamento, (o Sr. Ricardo, chefe do posto, previamente já nos havia autorizado utilizar o terreno da sede do IBAMA para tal).

Como era previsto que a cidade tinha muito pouca infra-estrutura, levamos todos os "ingredientes" para um grande churrasco, pois sabíamos que a partir daquela noite iríamos enfrentar muitas dificuldades.

Nas conversas que tivemos, ficamos sabendo que o município tem o nome de Chapada Gaúcha devido a que em no início da década de 80, através de um programa da Rural Minas e Incra, vários migrantes gaúchos instalaram-se na região para a produção de soja. Devido a esta invasão, também foi necessária a criação do parque para que se preservasse uma pequena porção daquele ecossistema, que foi totalmente removido em seu entorno para as plantações. Já no final do churrasco, a chuva que havia parado quando chegados à cidade retornou impiedosa.

Para nossa sorte o Sr. Eurides, chefe dos guarda-parque nos ofereceu a grande varanda de sua casa, a poucos metros dali, para montarmos acampamento, onde pudemos dormir confortavelmente protegidos da chuva.


 


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