Rumo a Chapada dos Veadeiros
Saímos cedo, agora
em direção ao estado de Goiás.
Nosso plano era
percorrer o caminho mais "off-road" que permitisse a
ligação com o Parque Nacional da Chapada dos Veadeiros - PNCV.
Este caminha passava novamente por dentro do
PNGSV, seguindo então por estradas de terra em direção ao
município de Formoso.
Durante a noite anterior caiu uma enxurrada que cobriu o posto de
combustível da cidade de água, então achamos melhor abastecer na
próxima cidade a fim de evitar problemas. Avaliamos a autonomia
restante nos jipes e consideramos seguro seguir, pois tínhamos 20
litros de reserva num camburão.
Entretanto, nossa estatística se mostrou errada, pois a Land
chegou no próximo posto de abastecimento já com o ponteiro do combustível
abaixo do vermelho, e ao abastecer, constatamos que havia apenas UM
litro de diesel no tanque...
Fomos em frente tomando o
rumo utilizando os sistemas de GPS (Global Position System) e PPI
(Para e Pede Informação), até que chegamos em uma grande serra,
que separava a região do nosso destino, PNCV.
Neste momento o GPS
já indicava menos de 40km em linha reta, mas o contorno da serra
fazia com que por horas a fio este odômetro nunca chegasse a
números inferiores a trinta.
Enfim chegamos a
uma pequena vila, chamada "Forte", que era a última referência que
tínhamos, incluindo aí todas as localidades cadastradas pelo IBGE.
Esta vila, tipicamente parada no tempo no interior de Goiás,
chamou a atenção de todos, pela preservação de arquitetura e
costumes do interior brasileiro, nada era artificial.
Ali tivemos duas informações: Uma boa e uma ruim...
A
boa era que continuando por ali chegaríamos sim ao PNCV, rodando
menos de 60km (o GPS ainda marcava 35 de costume...).
A ruim é
que teríamos vários riachos para atravessar, e em um deles
(cachoeira do Macacão) teríamos muita dificuldade para
atravessar, pois a chuva que vinha caindo na região tinha trazido
muito mato, galhos e arvores para o local da passagem.
Como a tarde já
estava caindo, fizemos uma reunião para avaliar a situação, e
se fosse o caso montarmos acampamento ali mesmo na vila, e
prosseguirmos ao nascer do sol.
Decidimos continuar, em velocidade
reduzida, e ao menor sinal de perigo acamparíamos na beira da
estrada ou pediríamos pouso em alguma fazenda próxima.
Seguimos pela estrada, cruzando os
rios e erosões que iam aparecendo (em uma destas erosões a
toyota nos deu um grande susto, quase tombando!).
Depois de
rodarmos bastante, quando já estava escuro encontramos um peão
passando, que confirmou que estávamos no caminho certo, e
confirmou que a tal cachoeira do Macacão estava próxima e que
ninguém passava por lá a alguns dias, devido as chuvas...
Como
não havia alternativa, seguimos em frente, já pensando em
acampar na tal cachoeira para podermos trabalhar ao nascer do dia.
Algum tempo depois o terreno começa a declinar, e as paredes
laterais demonstram que estamos chegando par a travessia da cachoeira.
A primeira
visão é assustadora... Um riacho de 20 metros para atravessar,
nada difícil, porém, a margem do outro lado estava tomada de
enormes troncos...
Aparentava, de longe, quase um dia de trabalho
para limpeza....
Testando o leito do rio com um galho,
um colega pode verificar que o mesmo era raso e de chão firme, porém a outra margem
continuava tenebrosa...
Então enviamos outra equipe de
levantamento, com lanternas mais potentes, aliados aos faróis dos
jipes na outra margem, e em instantes vem a boa notícia: A
estrada continuava 50 metros rio abaixo, e não em frente como
tínhamos avaliado...
Existia apenas um degrau que devia ser
transposto, porém sem grande dificuldade.
Caminho traçado, fomos
preparar todos os jipes para a travessia. Ao chegarmos aos jipes
um outro problema se prenunciava. "Está pingando algo na Toyota!"
, alertou alguém...
Verificado, constatamos que o radiador havia
sido furado provavelmente por um pedra arremessada pela hélice de
refrigeração...
Avaliamos que o furo não era grande o
suficiente para ser necessário o reparo naquele instante, então
abastecemos o radiador com água do rio, e prosseguimos a
travessia sem dificuldades, e seguimos viagem.
A cada quilometro
rodado, devidos a trepidação e aos buracos, o vazamento de água
aumentava, sendo que tivemos que parar várias vezes pra
reabastecer o radiador, consumindo inclusive mais de 20 litros de
água mineral que tínhamos...
Evitamos fazer consertos de
emergência (pó veda-radiador ou "durepox") para não
criarmos outro problema para os dias seguintes, e resolvemos
seguir daquela forma até onde fosse possível, e avaliar o
problema com o dia claro e com mais calma. Fomos seguindo desta
forma até chegarmos na vila de São Jorge, município de Alto
Paraíso de Goiás, onde fica a entrada do PNCV.
Chegamos por lá
já perto da meia-noite, estacionamos a Toyota e partimos com o
JPX e a Land para arrumar uma pousada ou um camping para
dormirmos, pois já estávamos rodando a 15 horas, e todos estavam
"pregados"...
Quase todas as pousadas já estavam
fechadas, e as que encontramos abertas eram muito caras para o
nosso orçamento...
Depois de muito rodar encontramos no Camping
Parada Obrigatória (61-9984-8346/ 61-9975-7671 http://www.netbsb.com/chapada), onde existiam três quartos muito simples que podiam ser alugados para
nós.
Sem
pensar muito por fala de opção, fechamos negócio, e já nos
instalamos no local, que a princípio parecia ruim, mas com o
passar do tempo acabou se mostrando muito legal, principalmente
pela hospitalidade e "causos" contados pelo Sr. Corinto,
proprietário do local, um antigo garimpeiro da região.
Como não
havia mais restaurante aberto, preparamos nossa refeição, a base
de macarrão instantâneo, e muita cerveja para comemorar o
fechamento da primeira parte da Expedição.