NOSSOS CAUSOS :-)

Carraspana em Itú

 O Sr. Umberto Bernardini foi um dos fundadores do J.C. Pirituba.

Trabalhou muito em São Paulo. Criou os filhos, ganhou seus netos, até conseguir a tão esperada aposentadoria.

Sempre apaixonado pelas trilhas e pelo verde, comprou uma pequena chácara em Itu-SP, onde esperava poder descansar e curtir a vida com sua esposa D. Darcy.

Como todo bom jipeiro, comprou também um Jeep F75 para andar na região, já que a chácara ficava numa região rural de difícil acesso, e em época de chuvas o acesso só de 4x4 mesmo.

Seu Umberto vivia feliz na chácara, fazendo amigos em toda a região, se tornando muito querido pelos vizinhos e comerciantes da redondeza.

Quase todo domingo era festa. Os filhos e netos aparecendo para visitar os avós, matar a saudade e reunir a família para o tradicional almoço, quase sempre com o churrasco que durava a tarde toda, enquanto as novidades eram trocadas naquela conversar sem pressa na mesa ao ar livre.

Ricardo, o filho mais velho do Seu Umberto sempre foi seu orgulho. E muitas vezes sua vergonha também. Aprendeu bem tudo o que o pai lhe ensinou. Como ser um bom pai, um bom chefe de família, homem trabalhador. Até torcedor do Palmeiras, time do coração do pai, ele se tornou.

Mas... Toda regra tem sua exceção. Junto com todos os predicados de bom filho, Ricardo cresceu também com uma fraqueza. A paixão pela bebida, mesmo que “socialmente” era sua marca. E junto com esta paixão, vinham os amigos com a mesma fraqueza.

Num deste domingos, Ricardo chega com a família como de costume. Como bom filho de jipeiro, Ricardo chega com seu JPX branco, para dar mais esta alegria ao pai.

Mas pouco depois, toca o seu celular. Os problemas estão chegando...

- Alô!

- Fala Ricardo, aqui é o Ney, tudo bem? Onde você está? Vamos fazer uma trilhinha para eu testas o meu Troller novo? O cearencinho é o bicho, anda demais!

- Pô Ney, estou aqui em Itu, na chácara do meu pai... Vem pra cá, aqui tem umas estradinhas encardidas, a gente testa o jipe e ainda toma “umas” cervejinhas... O que você acha?

- Ummm... Deixa-me ver... É que a Marly (Esposa do Ney) saiu com as meninas e minha mãe está aqui sozinha comigo. Sabe como ela é de idade, não pode ficar sozinha muito tempo... Bem... Mas tem cerveja gelada aí mesmo?

- Pô Ney, você não me conhece? E se faltar cerveja, tem um botequinho aqui na estrada que tem umas pinguinhas nervosas! Pode vir de que você volta logo... Deixe sua mãe dormindo que ela nem vai notar que você saiu...

- Bom... Sendo assim, rapidinho, eu acho que vou dar uma escapada até aí. E com o meu Troller 2.8 TDI vou voando baixo!

Mas como eu chego aí? Eu nunca fui na chácara do seu pai...

- Faz o seguinte, para facilitar eu vou te encontrar num lugar mais fácil.

Pegue a Castelo Branco, sai no km 68 retorna sentido Mairinque. Você vai chegar numa padaria chamada Pinga Fogo. Vou estar te esperando lá com o JPX, a gente toma uma para calibrar, e vamos para a chácara comer um churrasco.

- Beleza! Vou dar um chá para minha mãe e por ela para dormir... E já estou zarpando!

- Beleza, e eu vou falar para a Marly e para o meu pai que você está vindo, e já vou agora mesmo para a padaria te esperar. Enquanto eu te espero eu tomo “uminha” para abrir o apetite...

- Fechado! Até já!

- Até já!

Quanto Ricardo falou para a esposa que o Ney estava chegando, ela já anteviu que o dia não ia ser tão bucólico como de costume. Conhecendo o marido e seu amigo, sabia que aquele domingo não seria como os outros na chácara. Era esperar para ver.

Ricardo rapidamente pegou seus cigarros de palha e as chaves do jipe e saiu para encontrar o amigo.

- Pai, vou até a estrada encontrar um amigo meu que está vindo para cá almoçar com a gente e fazer uma trilhinha por aqui... Eu já volto! Cuida das crianças para mim!

- Que amigo está vindo filho?

- O Ney pai! Ele comprou um Troller zerinho e quer experimentar o jipe!

- Olha lá filho... Quando vocês dois ficam juntos acabam sempre de fogo... Direção e álcool não combinam...

- Fica frio pai... Nós só vamos tomar “uns” aperitivos, e além do mais os dois jipes são a diesel... Rá rá rá !

- Sei. Conheço vocês dois não é de hoje... Cuidado meu filho!

- Pode deixar pai... Se alguém tem juízo nesta família, sou eu! Tchau!

- Tchau!

 Ricardo saiu voando baixo em seu reluzente JPX, deixando aquele rastro de fumaça preta característico de bomba injetora toda aberta. Marly e o Sr. Umberto ficam imaginado o que virá pela frente. E sabem que não é coisa boa…É esperar para ver…

Em poucos minutos Ricardo já está debruçado no balcão da padaria, tomando uma maria-mole “só pra aquecer”. Como Ney deve demorar quase uma hora, ele começa a tomar umas cervejinhas só para passar o tempo. E o tempo passa. E as cervejas se vão…

Quase uma hora depois, Ney chega em seu novo Troller, brilhando como se tivesse saído da concessionária naquele instante.

- E aí Ricardo, esperou muito??

- Que nada, enquanto esperava tomei umas cervejinhas… Nem vi o tempo passar. Pega um copo aí, me ajuda a terminar esta!

- Só se for agora ! Garçom, um copo e mais uma cerveja, porque está já está ficando quente!

 Neste momento, toca o celular do Ricardo, era seu pai:

- Filho, você já está voltando?

- Quase pai ! Estamos só tomando uma cervejinha e já estamos voltando!

- Tudo bem filho… Você pode aproveitar e trazer ração para as galinhas?

- Pode deixar pai ! Eu passo lá na casa de rações e compro! Tchau!

- Tchau filho !

- Garçom traz a saideira e a conta!

- Vamos nessa Ney? Vamos passar na casa de ração, e lá na chácara a gente termina com as cervas !

- Vamos nessa Calabrês !

 Saíram então os amigos, cada um em seu jipe, em direção a casa de rações. Chegando lá, uma coisa despertou a atenção dos amigos. Um belo tonel de carvalho ao lado do caixa.

Ao pagar as rações, Ricardo não resistiu :

- Ôôôô companheiro ! Esse barril aí é para uso dos passarinhos ou é para uso da clientela também?

- Fique a vontade amigo ! Tome um copo para você e um para o seu amigo, podem provar a vontade !

- À vontade? Vamos nessa Ney, pega a caneca no jipe e vamos ver se o negócio é bom mesmo !

E provaram, provaram, provaram. Até que toca o celular de novo, era a Marly agora:

- Ricardo, onde vocês estão?

- Já estamos indo benzinho! E que está demorando em pagar aqui na casa de ração, mas já estamos saindo! Um beijo!

- Outro, e vem logo, que as crianças estão com fome!

Obrigado colega. Veja-me só metade da ração, assim eu posso voltar semana que vem para buscar mais, e aí eu aproveito e posso provar melhor essa sua pinguinha!

- Seja bem vindo!

- Vamos nessa Ney

- Ok, vamos voltar logo para que eu possa tomar uma cerva, pois esta pinga me deu uma sede danada!

E lá se foram os amigos, de volta para a chácara, alegres e felizes como sempre. No meio do caminho, pararam na Farmácia para comprar repelente para os pernilongos e pasmem vocês, havia um outro tonel de pinga no fundo da mesma no qual os dois forma convidados a provar.

Chegando na chácara, após todos os cumprimentos, começaram o churrasco.

Fogo no carvão, carne no espeto, e cerveja no copo. A conversa começa a embalar entre todos, até que são interrompidos por um barulho de carro acelerando muito no outro lada da rua.

- Que barulho é este? Perguntou o Ney

- É o vizinho, não deve estar conseguindo entrar na chácara dele. É como aqui, sem jipe não sobe fácil não…

- Tem mais é que se ferrar! Quem manda não ter jipe! Quero é que se lasque, não vamos ajudar ninguém não, bradou o Ney.

- Ainda mais, se estiver mamado como sempre, aí é que não sobe o morro mesmo, falou a mãe do Ricardo.

- O que? Ele toma uma? Gosta de um aperitivo para abrir o apetite? Ricardo! Vamos ajudar o cara. Não dá para deixar um vizinho gente boa na mão!

- Então vamos!

 E foram lá os dois a bordo do Troller, tentar ajudar o vizinho. Lá chegando, já mandaram o coitado passar a cinta na brazuca, e subiram o morro a toda, a coitada da Brasília tinha hora que até tirava as quatro rodas do ar..

- Muito obrigado colegas, nem sei como agradecer. Vocês bebem? Posso oferecer um aperitivo?

- Olha moço, beber a gente quase não bebe… Só socialmente… Mas já que o senhor insiste, onde é que está a "marvada"?

 E pinga vai, pinga vem, a “sede” do Ney aperta de novo.

- A aí amigo, não tem uma cervejinha neste rancho não??

- Tem não colega… Num tem nem geladeira… Mas tem um botequinho aqui na beira da estrada que sempre tem “umas gelada”…

- Então vamos lá, aí você aproveita e dá uma volta no meu jipão novo pra ver se é bom ou não é!

 Enquanto o churrasco na chácara do Sr. Umberto ia queimando, os três montaram no troller e foram morro abaixo. Primeira, segunda, terceira, e o Ney pisando fundo. Ainda bem que o santo antonio é forrado, e os cintos seguram mesmo.. Ricardo e o vizinho se seguravam como podiam, e o Ney pisava sem dó.

- Tão vendo? É bom ou não é? Mas mudando de assunto, cadê o boteco? Estou com uma sede danada…

- Caaaaalma colega é logo ali… Vai devagar senão ocê passa por cima dele !!

 Chegaram lá, e começaram a conversar como se fossem velhos amigos, e cerveja vai, cerveja vem. Aproveitaram para provar das pingas temperadas que o boteco oferecia, só para abrir o apetite…

Quando já passava das duas da tarde, Ricardo lembrou que a família estava esperando eles para o almoço…

- I ! Ney vamos embora que já tá na hora do almoço… Vamos logo senão a Marly fica falando um monte depois sem a mínima razão. Ela pega no meu pé com qualquer cervejinha que eu tomo com os amigos. Chama o vizinho e vamos…

- Falou! Vamos nessa aí colega, sobe aí que eu te deixo na sua chácara de novo!

- Carece não… Apreciei muito andar com o colega dirigindo, mas já foi emoção demais pra mim por hoje… Prefiro voltar andando como der mesmo.. Muito obrigado…

 Então Ricardo e Ney subiram no troller para voltar para casa.

- Alemão, quer ver como até a ré é forte neste jipe? Vou cantar pneu de ré duvida?

- Calma Ney, você parece que não está muito legal para dirigir não… Quer que eu dirija?

- Quééééééééisso? Tááááááá pensaaaaaaaaaaando que eu estooooou bêêêbado? Tou ééééééé bom prá caraaaaaaaaamba!! Seguuuuura aí!!!

 Todos a bordo, e se segurando bem, já prevendo o que vinha pela frente, o Ney engata a ré para manobrar. Acelera fundo e realmente se escuta um barulhão, mas não é de pneu cantando… Acertaram a cerca do terreno do dono do bar. Sem notar o estrago que tinha feito, Ney engata a primeira e sai cantando pneu, enquanto o dono do bar fica vendo o estrago e xingando os ocupantes, na vã esperança de que voltem para pagar o prejuízo.

 - Pode me deixar na porteira da minha chácara amigo, num carece de subir!, diz o vizinho apavorado em ter que passar pelas erosões do seu terreno a 80km/h de novo…

- Que nada, pode deixar que eu te levo lá em cima, você é dos nossos!

- Carece não! Carece não! Ai meu Jesus Cristinho….

- Já chegamos, segura aí que vou dar uma embalada!

 E sobe, desce, pula, patina, derrapa, acelera, até que chegam na sede da chácara, e o vizinho que era mulato, desce do jipe branquinho, branquinho…

- Muito obrigado amigos, não vou esquecer este passeio de jipe tão cedo…

 E lá se foram Ney e Ricardo, descendo o morro tão rápido quanto da primeira vez, já correndo para o churrasco, que os esperava há horas..

 - Marly! chegamos! Pega um pedaço de carne que estamos com fome!

- A carne já queimou toda Ricardo.. Vocês demoraram mais de hora…

- Tá, tá tá… Não precisa ficar falando… Já sei, vamos fazer uma pizza! Ney! me ajuda na lenha que eu vou te mostrar o que é um pizzaiolo nato!

 E a pizza saiu como se esperava… Uma droga… Nem os gatos estavam querendo cheirar. Mas acompanhada de uma cervejinha, os dois amigos iam comendo assim mesmo.

 De repente, Ney resolve limpar a lente do óculos. Pega um papel e começa a limpar, limpar e limpar. Coloca o óculos de novo no rosto, e nada. Limpa, limpa, limpa, e nada.

Marly começa a prestar atenção na “limpeza” que o Ney está fazendo, e observa um detalhe:

- Ney, seu óculos está faltando uma lente!

- Uééé… Deve ser por isto que eu não estou conseguindo limpar… Mas onde foi parar a lente? Será que foi o Gustavo que pegou? Que brincadeira é que fizeram comigo?

- Ney, como alguém ia tirar a lente do óculos na sua cara? É lógico que ela caiu e você não viu!

- Caiu e eu não vi? Você deve estar louca… Você acha que eu não ia ver? Você está achando que eu estou bêbado? Que nada, estou bom demais!

- Fica aí Ney, deixa que eu procuro..

 Como previsto, depois de uma volta, Marly volta com a lente na mão, que tinha caído quando foram pegar lenha para fazer a pizza.

 - Toma Ney, está aqui sua lente! Acho melhor você parar de beber!

- Que nada, eu estou cada vez melhor! Ta e faltando gente para beber junto conosco! Vamos ligar para alguém calabrês?

- Um.. Não sei se ligo…

- Liga, liga, liga!

- Está bom, vamos ligar para o Mauro primeiro.

- Passa-me o telefone para eu ligar.

- Alô? Cruzeta? Vem para cá seu (píííííííiííí) ! Estamos aqui no sítio do pai daquele (píííííííiííí) do calabrês! Não vem? Porque seu (píííííííiííí)? Você é mesmo um coleira, um (píííííííiííí)! Vai para (píííííííiííí) , seu (píííííííiííí).
Ainda bem que você não vem seu (píííííííiííí), senão eu ia te pegar e (píííííííiííí)!

 Nesta hora a mãe do Ricardo, D. Darcy, começa a ficar horrorizada. Aquele senhor, gentil e educado que havia chegado, se transformara em alguma horas em uma aberração da natureza, desfilando todo o vernáculo de satã em cada frase que proferia. Em poucos instante ela sai da mesa ruborizada, e corre para a cozinha procurando uma louça para lavar. Chama também os netos para assistirem televisão, para tentar proteger as crianças do linguajar mais chulo que ela já presenciara em sua vida.

 - ô calabrês! Este (píííííííiííí) do seu primo não quer vir para cá tomar uma cerva com a gente. Vamos ligar para outra pessoa.

- Que tal o Américo?

- Hum.. Não sei se ligo…

- Liga, liga, liga!

- Está bom. Vamos ligar para este japonês (píííííííiííí).
Alô? Américo? E ai seu japa (píííííííiííí), vamos tomar uma cerva?
Onde? Aqui em Itu, na chácara do pai do Ricardo!
Mas como estou louco? Vai para (píííííííiííí) seu japonês do (píííííííiííí)! Eu aqui abro meu coração para te convidar e você fala que eu estou bêbado? Vai pra (píííííííiííí) !

- E aí calabrês… Teus amigos são todos uns (píííííííiííí) ! Um bando de (píííííííiííí)!
Pega mais uma cerva aí!

- Calma Ney! acho que você já bebeu bastante… Se você dormir aqui hoje tudo bem, mas se você quiser dirigir de volta para São Paulo, acho melhor dar uma parada…

- Que parar o (píííííííiííí)! Dá mais uma cerveja aí seu calabrês do (píííííííiííí)! E agora eu lembrei que deixei minha mãezinha trancada dentro de casa sozinha… Pode ser que ele esteja precisando de alguma coisa.. Acho que vou embora é agora mesmo…

- Calma Ney, agora não dá para você ir não, você não está legal.. Espera pelo menos uma hora para baixar a fogueira…

- Quem está de fogo é o seu (píííííííiííí) seu safado lazarento. Você acha que eu fico de fogo com meia dúzia de cerva? Está me estranhando?

- Calma Ney, só falei para você descansar um pouco. Vamos fazer o seguinte, deixa que eu te levo para casa então, tudo bem?

- Que me levar para casa o (píííííííiííí)! Porque você não vai para a casa do (píííííííiííí)? Já não basta a Marly em casa me enchendo o saco, agora até você? Porque vocês não dão as mãos e vão juntinhos para a (píííííííiííí)! Bando de (píííííííiííí)!

- Calma Ney Calma ! Então vamos fazer o seguinte. Vamos dar uma volta de jipe por aqui? Você deixaria eu dirigir o Troller um pouquinho?

- Dirigir meu Troller zerinho? O calabrês vozzzê é um irmão para mim! Se eu fozzze mulher queria ter um filho teu! Vozzzê é meu amigo, é amigo pra (píííííííiííí), não é como aqueles (píííííííiííí) que não quiseram tomar uma cervezzza com a gente, bando de (píííííííiííí)!

- Vamos ligar novamente para o Cruzeta(piiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiii).

- Depois de mais quatro ou cinco ligações para o Mauro, ele resolve ir para uma trilhazinha.

- Beleza! Me dá a chave do carro e senta aí no banco do passageiro, que eu vou ali falar para o meu pai que a gente vai dar uma volta, diz o Ricardo.

- Claro calabrês, vozzzzê é meeeeu amigo. Vozzze é um cara legal pra (píííííííiííí), vozzzzê é…

- E isso aí Ney, sossega aí que eu já volto…

 Ricardo vai conversar com o pai para arrumar um jeito de levar o Ney para casa.

- Pai o senhor viu a fogueira que o Ney está?

- Pois é meu filho, e você se não se cuidar vai para o mesmo caminho…

- Que nada pai, eu só bebo socialmente…

- Bom o seu problema a gente discute depois, vamos dar um jeito de levar seu amigo para casa, porque não dá para deixarmos ele ir sozinho…

- E o que a gente faz pai?

- Vamos fazer o seguinte: Você leva ele no Troller, e eu vou no JPX. A gente deixa ele em casa e voltamos para cá com o JPX.

- Fechado. Vamos lá. Mas como vamos fazer para ele não descobrir nosso plano?

- Pelo ronco que estou ouvindo daqui, acho que ele não descobre nem se está vivo me filho. Pode tocar direto.

- É mesmo pai, o cara está apagado!

 E lá foram os três,direto para a casa do Ney em Pirituba.

Chegando lá, pegaram a chave da casa, abriram o portão, colocaram o Troller na garagem, abriram a porta da sala, carregaram o Ney até o sofá e o largaram lá.

 - A agora pai, o que a gente faz com a chave? O cara não acorda para fechar a porta nem com reza braba! O homem apagou de vez!

- Vamos fazer o seguinte, abre um pouco a janela, a gente fecha a porta e joga a chave em cima dele no sofá. Quando ele acordar e levantar, ele vê que a chave está lá.

- Boa idéia pai! O Ney vai agradecer pra caramba a gente quando ele acordar!

- É isso aí filho, agora vamos embora que a Marly e sua mãe devem estar preocupadas.

 E lá se foram, pai e filho, com um sentimento de dever cumprido, orgulhosos de terem ajudado um amigo, e certos que receberiam um reconhecimento gigantesco quando o colega se recuperasse da esbórnia sofrida.

Já no domingo, Ricardo preocupado com o estado do amigo, resolve ligar para saber seu estado.

- Alô? Ney? Tudo bem com você? Está melhor?

- Melhor do que seu calabrês safado?

- Caramba Ney, você tomou uma carraspana daquelas aqui em Itu ontem e não se lembra de nada?

- Eu? Você é que deve ter tomado um trabuzana daquelas e agora está enchendo meu saco aqui! Como é que eu ia tomar um tiro aí em itú e morrer aqui em Pirituba?

- Ney, você veio aqui, tomamos um pileque danado, e depois eu até tive que te levar de volta junto com meu pai, você não lembra de nada?

- Ô seu flibusteiro de uma figa, se você tomou um tiro aí em Itu e veio cair aqui no meu portão, eu não sei de nada! Eu nem saí de casa ontem, eu fiquei tomando conta da minha mãe, acho que tomei umas cervejas sozinho e dormi na sala.
Já não basta o tanto que a Marli me encheu o saco quando chegou das compras por eu estar dormindo e não ter ouvido minha mãe me chamar, você ainda vem me aloprar?

- Mas Ney, é verdade o que estou falando!

- Porque você não vai avinagrar a vida de algum outro desocupado, liga lá para o Mauro, para o Américo, liga para a (piiiiiiiiiiii!) mas me deixa sossegado porque minha cabeça está explodindo!
Você acha que eu ia beber demais se soubesse que ainda tinha que dirigir? E você acha que eu ia dar o meu Troller zerado na mão de um pinguço, cerca-peru, biritado, cachaceiro, caneado sem-vergonha igual a você?

- Ney, caramba, é sério! Seu ingrato, mal-agradecido, intragável. Bebe e depois não lembra das coisas!

- Tu... tu… tu… tu…


   Jeep Club Pirituba      http://www.jcpirituba.com.br   quinta-feira, 29 de julho de 2010 - 09:25 hs.